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Gestão de Carreira e Saúde Mental: Você sabe qual é a sua orientação de carreira?

Você já ouviu falar em carreira tradicional, proteana, sem fronteiras ou caleidoscópica? Esses modelos refletem diferentes formas de gerenciar a trajetória profissional e podem dizer muito sobre seus valores, objetivos e o momento de vida em que você se encontra.

Antes de explorarmos esses conceitos, é importante alinharmos um ponto central:

“Autogestão de carreira pode ser definida como um processo pelo qual os indivíduos desenvolvem, implementam e monitoram metas e estratégias de carreira” (Hirschi e Koen, 2021).

Diante do cenário dinâmico da carreira moderna, a autogestão se tornou essencial. Se no passado as carreiras eram pautadas por estabilidad

 

e e progressão linear, hoje vivemos um momento em que mudanças frequentes, flexibilidade e propósito guiam as decisões profissionais. Mas qual modelo de carreira faz sentido para você?



1. Carreira Tradicional

  • Origem: Popular nos anos 50 (Chantal e Sullivan).
  • Características: Gerida pela organização, com estruturas estáveis e hierárquicas.
  • Exemplo Prático: Profissionais do setor público ou grandes corporações que oferecem planos de carreira estruturados, com promoções por tempo de serviço e desempenho (bancos, indústrias tradicionais, etc.).
  • Aplicação Atual: Ainda presente em empresas que valorizam estabilidade e crescimento gradual, atraindo profissionais com foco em segurança e progressão linear.

2. Carreira Proteana

  • Origem: Anos 90 (Hall e Baruch).
  • Características: O profissional assume o controle da própria carreira, focando em desenvolvimento individual e propósito. O sucesso é medido psicologicamente, não apenas organizacionalmente.
  • Exemplo Prático: Profissionais que buscam trocas de emprego para encontrar qualidade de vida ou propósito, além de autônomos e prestadores de serviço (PJ).
  • Aplicação Atual: Comum em setores como tecnologia, psicologia e empreendedorismo, onde habilidades e experiências têm mais peso que cargos ou títulos fixos.

3. Carreira Sem Fronteiras

  • Origem: Também nos anos 90.
  • Características: Foco em independência, autonomia, agilidade e flexibilidade. O profissional rompe com barreiras organizacionais e geográficas.
  • Exemplo Prático: Profissionais de marketing digital, tecnologia ou pesquisa que trabalham remotamente para empresas globais, adaptando-se a diferentes mercados e realidades.
  • Aplicação Atual: Muito valorizada na era do trabalho remoto, globalização e crescimento das startups, que demandam profissionais multitarefa e adaptáveis.

4. Carreira Caleidoscópica

  • Origem: Modelo relacional dos anos 2000.
  • Características: As decisões de carreira consideram o impacto em todas as áreas da vida, com foco no equilíbrio e propósito.
  • Exemplo Prático: Profissionais que optam por reduzir a jornada de trabalho para dedicar mais tempo à família ou que mudam de área para alinhar a carreira com seus valores pessoais (como sustentabilidade e propósito social).
  • Aplicação Atual: Cresce entre as gerações Millennials e Gen Z, que priorizam qualidade de vida, flexibilidade e carreiras híbridas ou em empresas com cultura organizacional equilibrada.

Reflexão Prática

Cada tipo de carreira pode ser mais ou menos adequado dependendo:

  • Do setor de atuação: Áreas como tecnologia e startups valorizam modelos proteanos e sem fronteiras, enquanto setores tradicionais mantêm o foco na carreira hierárquica.
  • Dos valores pessoais: Profissionais que priorizam propósito e qualidade de vida se identificam mais com o modelo caleidoscópico.
  • Do momento de vida: Jovens podem preferir uma carreira sem fronteiras ou proteana, enquanto profissionais mais maduros tendem a buscar estabilidade.

E como ficam as organizações diante dessas mudanças?

O cenário atual exige uma revisão do olhar organizacional sobre carreira. Empresas estão preparadas para lidar com profissionais que pensam suas trajetórias de forma diferente do modelo tradicional?

  • Como criar estratégias para reter talentos com orientações proteanas ou sem fronteiras?
  • Como alinhar os objetivos organizacionais às novas demandas de equilíbrio e propósito da carreira caleidoscópica?
  • Como manter a competitividade em um mercado onde profissionais buscam autonomia e autogestão?

A gestão de carreira e a saúde mental estão interligadas. Reconhecer o modelo de carreira que mais faz sentido para você (ou para sua equipe) é o primeiro passo para uma trajetória profissional saudável e alinhada aos seus valores.

E você, qual tipo de carreira reflete a sua jornada ou as suas aspirações?

Vamos conversar sobre isso?

Auto: Tatiane Franklin, Psicanalista, Mestra em Administração

Referência: Hirschi, A., & Koen, J. (2021). Contemporary career orientations and career self-management: A review and integration. Journal of Vocational Behavior126, 103505. ttps://doi.org/10.1016/j.jvb.2020.103505

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